Todo dia ela faz tudo sempre igual…

Enfim algo lhe deu sono. Não que o filme fosse ruim. Ela foi dormir, na hora em que muitos se levantavam para estudar, ou trabalhar. Três horas depois ela acorda e a primeira coisa que pensa é que gostaria de voltar no tempo e matar Grambel antes que ele inventasse o telefone, mesmo que provavelmente alguém viesse a fazer isso mais pra frente. Não sei por que ela ainda atende ao telefone, na maioria das vezes, é engano. Deita novamente, fecha os olhos, nada. Vira de um lado para o outro, e nada. Resolveu não insistir, levantar, fazer o agradável primeiro xixi do dia, escovar os dentes e tomar café, mas é impedida por um abraço pequeno e macio que a derruba na cama de novo, enchendo-a de lambidas enquanto suas perninhas eufóricas não param de balançar e suas galochas acertam a canela dela. Ela ri quando percebe que a única coisa que ele esta vestindo é uma cuequinha boxer, vermelha d homem-aranha que combinam com as benditas galochas, um chapéu colorido e fazia das mãozinhas pistolas imaginárias enquanto gritava “mamãe, eu sou um cowboy, você viu meu cavalo por ai?” e sai correndo antes mesmo que ela pudesse responder. O telefone toca novamente. Ela realmente não quer atender ao telefone, mas pensa que, ou pode ser importante, ou pode ser ele, mas ainda não foi dessa vez. Vai para a sala, se sentindo um zumbi sendo arrastado por correntes e vê que passou um furação por ali.Fecha os olhos, respira fundo, ri para dentro, se vira para entrar na cozinha e tropeça em um carrinho com rodas enormes que apareceu do nada e instantaneamente para de rir por dentro e faz uma careta visivelmente irritava. Toma um café com leite frio. Se lembra que precisa ir pra rua, e resolve tentar despertar tomando um banho. Ajuda, mas não resolve. Se arruma, a abre as cortinas pra deixar o sol entrar, mas não tem sol e diz em voz alta “ São Pedro ta com mania de limpeza, só pode… é nessas horas que eu gostaria de ter uma galocha também”. Pega a bolsa, dá um beijo na mãe, no filho e bate a porta atrás de si. Volta e lembra que esqueceu o dinheiro da passagem. Chega à rua e se sente extremamente feliz por sentir uma brisa gelada batendo no rosto. Coloca os óculos escuros, prende os cabelos, coloca os fones de ouvido, e aperta o play e começa a caminhar: The Verve – Bittersweet Simphony. ” ‘Cause it’s a bittersweet symphony, this life/ Try to make ends meet/ You’re a slave to money then you die/ I’ll take you down the only road I’ve ever been down/ You know the one that takes you to the places/ where all the veins meet yeah…”. Ela sentiu uma vontade de comer sem parar, gritar, pular, parecia uma dimensão paralela. Poucas pessoas percebem o verdadeiro poder que a música influi em cada momento. Ela sabe apreciar muito quando isso acontece. Entra no ônibus e senta no assento da janela que já está devidamente aberta e ela fica feliz por não ter que se dar ao trabalho de ter que abri-la. Uma súbita sensação de que as coisas mudariam fez com que um sorriso enorme preenchesse o rosto dela. Começou a tocar Deftones – Chenge (In the house of files) “…I watched a change in you/ It’s like you never had wings/ Now you feel so alive/ I’ve watched you change …”. Se houve em algum momento uma dúvida de que as coisas realmente mudariam, essa duvida passou. Desceu do ônibus, olhou de um lado para o outro da calçada, andou na direção contrária de algumas pessoas que caminhavam a sua frente e pensou o quanto gostava do centro da cidade, tanto de dia, quando de noite. Ela fez o que tinha que fazer, sentindo-se em casa e segura de si, mesmo tendo um jeitinho só dela de ser desastrada. Entrou no elevador para ir embora, se achou bonita ao olhar seu descabelamento no espelho, sorriu para a câmera de segurança, foi colocar o fone de ouvido e ficou frustrada ao lembrou que a bateria do telefone onde as musicas estavam, tinha acabado quando ela tentou tirar uma foto da vista do prédio comercial onde ela estava para mandar pra ele: Pão de Açúcar. O resto do dia foi sem importância, e sem música. Estava lá na hora de pegar o pequeno grande homem no final da aula. Abaixou-se enquanto ele vinha correndo na direção dela batendo com a mochila nas pessoas pelo seu caminho e não se importando com isso. Ele queria brincar mais, mas a chuva não deixou. Ele ganhou um pirulito que no final virava chiclete e os dois riram de suas línguas avermelhadas. Eles brincam de bola, ele quebra um bibelô, ele chora. Ela coloca ele no colo e pede pra ele parar de chorar e que ela não ia brigar, mas quando ela percebe, ela já estava longe, começando a ter espasmos de inicio de sono. Ela beija a cabeça dele e as macias bochechas rechonchudas antes de ele ir para a cama. Ela come uma sopa quentinha com sua mãe enquanto assiste TV com suas desgraças cotidianas e pensa no dia agradável que teve sozinha. Ela levanta, vai a cozinha, bebe um copo de água. Vai para o quarto, e se senta na cadeira que fica em frente ao PC. Ela sente saudades dele. Ela sente saudade dos amigos. Ela sente um frio no estômago e uma sensação de como se estivessem o espremendo. Ela se sente sozinha. Ela escreve, desabafa, ouve muitas musicas, uma em especial, repetidamente. Mata um pouco da saudade. Suspira. Pensa que já está no meio da madrugada, mas a merda do sono não vem. Hora de deitar, mesmo sem dormir e sentindo que seus olhos ainda não estão prontos para se fechar. Ela deita, e deixa que o sonho a leve pela mão. O telefone toca. Ja é dia, e ela quer esganar Alexander Grambel mais uma vez.


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