O Sol e a Neve

Era

uma

floquinha

de neve que

vivia no alto de

uma montanha ge-

lada. Um dia, de apai-

xonou pelo sol. E passou

a flertar descaradamente

com ele. “Cuidado!”, alerta-

ram os flocos mais experiêntes.

“Você pode se derreter.” Mas a

nevinha não queria nem saber e con-

tinuava a olhar para o sol, que com seus

raios a queimava de paixão. Ela nem perce-

bia o quanto se derretia…  e ficou ali um bom

tempo, só se derretendo, e derretendo.  Quando

viu, era uma gotinha, uma pequena lágrima de amor

descendo, com nobreza e delicadeza, a montanha. Lá

embaixo, um rio esperava por ela.

Diléa Frate – Histórias Para Acordar

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Sem música…

(Agradecer apenas a minha pequena, aquela que além de ser a melhor amiga, me ensina a ser uma pessoa melhor. Eu te amo minha estrelinha.

Ela acorda sem vontade de acordar.

Ela se  levanta só porque tem que levantar.

Ela pensa em muitas coisas que gostaria de fazer e lugares onde queria estar, e se irrita pq se lembra que isso não depende só dela.

Ela sente frio, e gosta disso.

Ela se sente sozinha, mesmo rodeada de pessoas.

Ela dorme encolhida, mesmo tendo muito espaço na cama.

Ela quer mudar, em todos os sentidos.

Ela pensa que a vida não é colorida e ela nem nunca quis quea vida fosse cor de rosa, mas ela tem certeza de que a vida não é revestida por uma película preta e branca com tons de cinza escuro e nem que o doce é tão amargo e que não tem dor que seja tão forte que não seja remediada ou problema que seja remediado.

Ela nãoé pessimista.

Ela não é otimista.

Ela é sonhadora, mas tem os pés acorrentados ao chão.

Ela quer vida real, com coisas reais, com coisas verdadeiras, que podem ser tocadas.

Ela quer não ter que sentir inveja da felicidade e dos problemas daqueles que são menos covardes que ela.

Ela precisa aprender a magoar o proximo para não se magoar mais.

Ela tem que ser mais prática.

Ela pensa que tinha razão em se manter como escudo levantado, mesmo esse escudo tendo sido abaixado.

Ela não quer ter mais o coração dilacerado.

Ela faz uma reverência, agradece, sorri, a lágrima escorre, dá adeus, vira as costas e se retira do palco.

-Obrigada senhoras e senhores, mas o show acabou.