Alguém apagou a luz?

Ela pensa que o mundo seria muito mais bonito, se todos fossem azuis. Imagine. Ela olha para si mesma no espelho e percebe o cansaço inesperado e fica orgulhosa por não ser passiva diante dos fatos.

Ela descobre que quando quer, consegue ir mais além, surpreendendo até aqueles que se enganam com sua carinha de menina boazinha. Ela sorri, e descobre que gosta do seu sorriso, e do formato do seu rosto e do seu cabelo e de como seus cílios são ligeiramente graciosos, e suas sobrancelhas arqueadas de formas diferentesuma da outra. Ela acha graça de suas bochechas levantarem e formarem um conjunto estranho com o nariz herdado da família. Ela gosta de como seus canínos são um pouco pontiagudos.

Ela pensa que precisa arrumar a bagunça dos ultimos dias. Ela lembra que a mãe tá melhor, mas alguma coisa dentro dela, faz com que o sorriso desapareça de seu rosto. Uma msg amiga no celular, um pedido de desculpas por duras palavras e um desejo de que algo voltasse a ser como ha anos, ou melhorasse. Ela sente falta da amiga. Ela sente falta de muita coisa que não voltará nunca mais a ser como antes. Ela sente o coração bater forte dentro do peito. Ela não consegue parar de pensar.

Ela sente aquela necessidade antiga de mudança cada vez mais forte. Ela quer mudar. Ela quer se mudar. Ela sente um frio no estômago, um medo forte. Ela vê no espelho que está chorando, mas quando passa a mão no rosto, não tem nada, nem uma lágrima. Ela respira fundo, pisca forte, aperta o olho por alguns segundos.

Alguém apagou a luz?

Ela acorda, sentindo as mesmas sensações de antes, mais intensas, mais reais. Ela senta na cama, coloca os cotovelos apoiados na perna, apoia a cabeça nas mãos. Ela a garganta apertar e a lágrima pingar de verdade em sua perna. Ela deita, tenta não pensar, dorme depois de tanto chorar.

Ela sonha, e todos em seu sonho, eram azuis. Ela via tudo de cima. Ela via muitas cores, mas gostava da predôminancia do azul.  Ela viu um balão colorido, bem pscicodélico. Ela viu pessoas que nunca tinha visto antes, rostos totalmente desconhecidos. Ela viu um homem azul usando uma roupa verde, sendo seguido por outros hoemns e voando. Ela viu 3 mulheres altas azuis, uma com uma capa vermelha, uma com um sapato vermelho e a ultima, com um cabelo curto, usando um laço vermelho amarrado no topo da cabeça com um olhar malicioso comendo uma maçã que tinha acabado de pegar do cestinho da primeira mulher. Ela vê logo depois, uma velhinha azul, de cabelo branco, usando um vestido tb azul com um avental branco, e ela acha que viu um gato, ou um coelho, ou coelhato ou um gatoelho, ela não sabemuito bem. Ela se vê andando no meio de toda aquela gente azul, e todos sorriem para ela. Ela percebe que não é azul. Ela vê um espelho, com penas, e braços e olhos, andando na sua direção. Ela pára de frente para o espelho. Ela pensa em azul, e fica azul. Ela pensa no vermelho daquelas 3 mulheres, e fica vermelha, da cabeça aos pés. Ela pensa na roupa verde do homem, e fica verde, totalmente verde. Ela se sente aliviada. Ela se sente adaptada. Ela é abraçada por trás, um abraço conhecido. Ela não estranha, se aninha, sente aquele cheiro gostoso de alfazema. Ela sorri e pensa que ama o cheiro que ele tem. Ela o abraça forte. Ela fecha os olhos.

kk

Ela acorda, a cortina não estava fechada e o sol não a deixava abrir os olhos normalmente. Ela abre os olhos, ainda embaçados, levanta da cama, ainda meio tonta. Ela abre a última porta do armário, pega uma caixa. Ela abre a caixa, senta na cama. Ela pega o pequenino , que veio de tão longe. Ela o cheira. Ela olha no relógio, e vê que tá cedo demais para se levantar. Ela puxa a cortina, deixa na cama, se cobre, abraça o pequenino, que em seu sonho, era tão grande,  o cobre também e tenta se livrar da preguiça. Ela sorri.

No fundo:

Inferno Astral….

Ela acorda, no susto. Alguém bate fortamente na porta do seu quarto. Ela se descobre, com pena de si mesma, afinal, tá muito frio, e o edredon estava tão quentinho e aconchegante. Ela vai até a porta, desconfiada, gira a maçaneta lentamente, abre a porta. Ela abre bem os olhos,mas não tem absolutamente ninguém. Ela abre mais a porta, vê a luz da cozinha acesa. Ela caminhou  até a claridade, e percebeu que sua mãe passava o café.

-Oi. Bom dia. Você bateu na porta do meu quarto?

-Oi, nossa, que cara péssima, bom dia! Não, não bati. Você deve ter ouvido algum barulho desses vizinhos esporrentos que a gente tem, ou pressentiu que eu ja ia te chamar…

-Você ia me chamar as quase 7 da manhã, sabendo que eu dormi ha menos de 4 horas, porque?

-Sinto muito pela sua insônia, mas estou indo ao médico, meus ruins me amam.

-Pqp mãe, que merda!

-Você anda tão desbocada…

Ela ignora o comentário da mãe, vai até a sala, que parece que passou um furacão e pensa no quão arrumadinha ela estava antes dela ir para seu quarto. Ela senta do lado do menino, que quase não percebe sua chegada por estar hipnotizado por causa do desenho que tem um macaco com nome de gente. Ela pensa em como o macaquinho é fofo e se lembra de ja ter visto ele antes, e não tinha sido naquele desenho. Ela se joga pra cima do menino, que agarra ela pelo pescoço e enche ela de beijo dizendo “minha mamãezinha querida”. Ela se cobre com o edredon dele, e sente falta da sua cama. Ela dá tchau para sua mãe, deseja boa sorte, e reza para não dormir e a casa pegar fogo.

Ela se levanta, vai até o laptop de sua mãe, que está ali na sala, sem fazer nada, e se lembra de seu PC, morto, assassinado. Ela respira fundo. Ela prende o cabelo. Ela morde o lábio inferior enquanto escreve sobre seu inferno astral. Ela realmente não queria ter comido aquele pacote de 200g de M&M’s ontem, mas quando seu deu conta…

————-

Não sei pq ainda acredito em inferno astral, mas o meu, começou dia 13 de maio, logo, acaba dia 13 de junho, LOGO, eu vou fazer aniversário. É, vou fazer 24 anos…

Não tô com vontade de festa, mas sabe como é, até dia 13 muita coisa pode mudar…

————-

Música da época:

Alanis Morissettec – That I would be good


“That I would be good even if I did nothing
That I would be good even if I got the thumbs down
That I would be good if I got and stayed sick
That I would be good even if I gained ten pounds

That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing

That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clinging

That I would be good even if I lost sanity
That I would be good whether with or without you
…”