Coisas (nada) Frégeis

Ela queria falar. Ela queria realmente falar. Ela não encontra as palavras. Ela não consegue digerir os fatos. Ela se recolhe, se afasta. Ela tenta entender o que fez de errado. Ela ri tentando não chorar, e chora tentando sorrir. Ela queria que todos fossem azuis, todos… Ela perdebe que aquele azul, ja não é mais um azul tão bonito, tão real. Ela percebe que aquele azul todo, ja não tem mais sentido, aquele azul nunca será mais como era antes, desbotou, encardiu, perdeu todo o colorido que um azul deve ter. Ela fica se perguntando se foi a falta de uso, se guardou por muito tempo aquele azul dentro do armário. Ela enfim, percebeu que aquele azul, janão era mais azul, aquele azul, foi embora.

Eu queria dizer tantas coisas. Na verdade, eu tenho muitas coisas mesmo para dizer, mas nesse mmento, as palavras estão tão embaralhadas na minha cabeça que eu não ia dizer coisa com coisa. Tá, eu sei que eu nunca digo coisa com coisa, mas eu tomei dano agravado, minha alma ta retalhada e eu já nem sei mais em que parte do corpo esta o coração. Minha razão, prudente como só ela e louca como só eu, pediu que eu me ausentasse.

Eu só queria a minha cama, o meu travesseiro, e o meu pequeno me dando muitos beijos e dormindo abraçadinho comigo, pq pra ele, não importa o tamanho do espaço, que ele se gruda em mim na hora de dormir. Sinto falta dele cheirando meu cabelo, e sinto falta do cheiro do cabelo dele também. Não só do cabelo, mas do corpinho roliço dele, das dobrinhas, do sorriso espaçado, das caretas, brincadeiras, sapequices… Só ele, e mais nada, nem ninguém.

Hoje me perguntaram, se eu soubesse “manhã” de tudo que eu iria passar na vida, se eu faria tudo de novo. Sim, eu faria, sem tirar nem por nada. Com todos os erros e acertos. Com todos os defeitos e qualidade. Apesar de tudo, eu sou feliz, pena que não posso dizer o mesmo de muita gente que eu conheço.  Algumas coisas são tão simples, e a gente complica tudo, sem perceber. Não existem maquinas do tempo, ou tratamentos de esquecimento como em “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Imagine como seria a vida sem dor. Digo melhor, pense na vida sem o sofrer, sem a decepção, sem o querer, sem o amor e sem mais um monte de coisas que tornam o mundo real. Não existiriam músicas, poemas, versos, prosas, pensamentos, não existiria nada de interessante. Seriamos robotizados, talvez, não sei. Pavoroso pensar nisso.

Não quero escrever mais. Apaguei o texto gigantesco que eu tinha escrito. Desnecessario, perdi meu tempo, mas tudo bem…

Para o meu pequeno grande homem, pq a saudade tá apertando cada dia que passa:


Marisa Monte – Mais uma vez

Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
Vou com saudades no meu coração

Mando notícias de algum lugar…

Eu sei, que muitas vezes te fiz esperar demais
Mas mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais
Fico imaginando você sofrendo na solidão

Uoouuuu

Quando eu vou deitar penso em você em seu quarto dormindo

Ahhhh

Longe de você meu bem, longe da alegria
Longe de você meu bem, longe do nosso lar …. (2x)

Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
To com saudades no meu coração

Mando notícias de algum lugar…

Eu sei, que muitas vezes te fiz esperar de mais
Mas mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais
Fico imaginando você sofrendo na solidão

Uoouuuu

Quando eu vou deitar penso em você em seu quarto dormindo

Ahhhh

Longe de você meu bem, longe da alegria
Longe de você meu bem, longe do nosso lar …. (2x)
Mais uma vez…

Tempo…

Engraçado como o tempo nunca esta à nosso favor. Se estamos com pressa, o tempo demora a passar. Se queremos que ele seja pontual, nunca acontece como planejamos. Agora, se queremos que ele não passe, piscamos o olho, e o ontem ja se tornou amanhã.

Tempo é um problema, que dá música. Geralmente fazem sentido, raramente, sentido algum.  Ha alguns dias, eu tinha 3 anos, e brincava de boneca, até os meus 10, onde descobri que pular corde era mais interessante. Nunca fui uma criança de correr, me arrependo. ontem, eu tinha 12, e dava meu primeiro beijo. Hoje tenho 24 e já sou mãe.

Parece que foi um dia desses que eu fui embora. Não me despedi como gostaria. Hoje sinto que foi por um bom motivo, mesmo eu tendo negado, e dizendo jamais, as coisas não acontecem como nós gostariamos que elas acontecessem. Muitas lágrimas, alguns sorrisos, muita saudade. Nada será como antes. Não quero me iludir, mas prefiro acreditar na beleza da felicidade e na minha verdade.

Ja posso sentir as borboletas. A cada instante, mais delas vão chegando. Quando mais o tempo se vai, mas o número de borboletas cresce.relogio-hora-7 Elas batem asas, em um vôo expremido e serelepe, agoniadas, loucas para voar livre e para fora do meu estômago. Contagem regressiva.

Amanhã, nessa hora, a pureza invadirá o ar num vento forte e o tempo vai parar em um olhar. O movimento será nosso, e todo resto congelado. Amanhã, nessa hora, as palavras vão sumir, o sorriso alargará meus lábios e o choro vai invadir meus olhos. Não me importo com o amanhã depois do amanhã, e sim, em apreciar cada milésimo de segundo do hoje de amanhã.

Amanhã, nessa hora, eu serei feliz, e as borboletas também.

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A música que eu resolvi colocar hoje, não tem a ver com tempo. Tem a ver com o que eu sinto, aqui dentro. Toda vez que eu ouço essa música, eu sinto o ar sumir, e a saudade me sufocar, e eu penso que, por mais triste que algumas situações da vida nos leve, eu sou feliz por ter um sentimento tão puro habitando aqui dentro. Queria que só uma vez, todos sentissem como eu sinto o amor. Se amanhã eu chorar, e sofrer, eu escolhi o meu caminho, ou escolheram ele pra mim. Se nada sair como planejei, eu vou sentar, ouvir mais uma vez qualquer música que lembre, me abraçarei, chorarei, sentirei como se duas mãos apertassem meu pescoço, mas não morrerei. Só aprenderei a viver de uma forma diferente.

Pela primeira vez, eu ouvi e não senti o vazio de antes, nem a vontade de sumir. Só a saudade. Apenas ela.


Damien Rice – Delicate

We might kiss when we are alone
When nobody’s watching
We might take it home
We might make out when nobody’s there
It’s not that we’re scared
It’s just that it’s delicate

So why do you fill my sorrow
With the words you’ve borrowed
From the only place you’ve known
And why do you sing Hallelujah
If it means nothing to you
Why do you sing with me at all?

We might live like never before
When there’s nothing to give
Well how can we ask for more
We might make love in some sacret place
The look on your face is delicate

So why do you fill my sorrow
With the words you’ve borrowed
From the only place you’ve known
And why do you sing Hallelujah
If it means nothing to you
Why do you sing with me at all?

So why do you fill my sorrow
With the words you’ve borrowed
From the only place you’ve known
And why do you sing Hallelujah
If it means nothing to you
Why do you sing with me at all?