Do desejo…

” Se te pertenço, separo-me de mim.

Perco meu passo nos caminhos de terra

E de Dionísio sigo a carne, a ebriedade.

Se te pertenço perco a luz e o nome

E a nitidez do olhar de todos os começos.

O que me parecia um desenho no eterno

Se te pertenço é um acorde ilusório no silêncio.

E por isso, por perder o mundo

Separo-me de mim. Pelo absurdo.

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Nessas férias, muito paradoxais, eu conheci uma mulher, menina, menina-mulher, com um dos sorrisos mais doces e lindos que eu ja vi. Trocamos confidências chorosas, quando mal nos conheciamos, compartilhamos do problema uma da outra, e no fim das contas, quem saiu ganhando, fui eu.

Quando nos despedimos, ganhei dela o livro DO DESEJO de Hilda Hislst de presente. Surpreendente como cada momento desde que a conheci. Obrigada Pequenininha, você fez do turbilhão, um momento menos doloroso enquanto se preocupada comigo, e ria das minhas piadas sobre a minha falta de sorte. Coisas que acontecem, não é?!

Pra minha felicidade, a pequenininha também gosta de The Gathering, e a música que eu vou colocar hoje, é linda e diz muita coisa, mas são coisas que ja não importam mais.

The Gathering – Saturnine

“The day you went away
You had to screw me over
I guess you didn’t know
All the stuff you left me with
Is way too much to handle
But I guess you don’t care

You don’t need to preach
You don’t have to love me all the time

Whatever on earth possessed you
To make this bold decision
I guess you don’t need me
While whispering those words
I cried like a baby
Hoping you would care

You don’t need to preach
you don’t have to love me all the time
You don’t have to preach all the time

You don’t need all the time
You don’t need

You don’t need to preach
You don’t have to love me all the time
You don’t need to preach
You don’t have to love me all the time
You don’t need to preach
You don’t have to love me all the time
You don’t have to preach all the time”



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🙂

Na Gaveta

Os dias têm sido relativamente comuns após a minha volta, tudo normal, nada de bom acontece. Tudo volta a ser “o de sempre”. Porém, hoje ao arrumar algumas coisas ainda pendentes pelo quarto, fui organizar algumas coisas quando esbarrei nas únicas coisas que eu mão deveria ter esbarrado, ou deveria, não sei ao certo. Presentes, livros, cartas, cartões postais, fotos, um pingüim de pelúcia com cheiro de alfazema e palavras soltas por toda parte que faziam todo sentido do mundo antes, e agora, mesmo eu sabendo que não é totalmente verdade e é apenas drama pessoal, só fazem sentido para mim.

Dedicatórias, promessas de amizade, palavras de amor, união, pedidos. Na primeira de todas as cartas, um final surpreendente, um aviso, quase um “me espera”, estou chegando.

Já recebeu uma estranha carta?

Fiz a coisa menos inteligente que eu poderia. Parei a reli tudo, trancada no banheiro, sentada no chão, encostada na pia. Tentei ser silenciosa. Chegou um momento em que não deu mais, fui vencida pela minha própria respiração. Ficava olhando para o branco do papel, de longe e com os olhos profundamente embaçados, tive nítida impressão de que as letras se achatavam e logo em seguida sumiam junto com o transbordar por entre os cílios. Olho para o lado e vejo os envelopes laranja, a pilha de livros e a caixinha estampada com pimentinhas. Posso sentir o cheiro invadindo meu quarto, e minhas narinas úmidas, agora é um cheiro dolorido de lembrança.

Feliz dia de hoje…

O mais assustador de tudo, é ter me tornado o medo que não era meu. Tornei-me uma lembrança, alguém para talvez sentir saudade esporadicamente, apenas alguém que passou. Logo eu, que há muito tempo não deixava o caos da melancolia penetrar profundamente pelo meu escudo de sorrisos e gargalhadas sonoras, me vejo deitada com a cabeça no colo da Ironia e olhando para o Sarcasmo que toma um chá e olha para mim como quem diz “eu te avisei, você já sabia de tudo, e mesmo assim abriu a porta quando alguém bateu, se fode aí”. Já a Ironia, nem precisa dizer nada, nunca precisa, apenas acaricia meus cabelos.

Feche os olhos.

Foram tantas coisas ditas e ouvidas, lidas e escritas, e ainda não consigo entender. Fico me olhando no espelho procurando a resposta, um sinal divino, uma palavra, e nada, eu não sei. E o que eu faço quando não tenho mais nada a fazer?! Apenas respiro fundo, guardo tudo dentro da gaveta que menos abro, e transformo esse drama na tentativa frustrada de lidar com apenas mais uma lembrança também, um sonho lindo que a gente constrói, faz planos, promessas, confidências e quando a gente menos espera, vem àquela sensação de queda de um imenso precipício e acorda antes de chegar ao fim. Foram muitas músicas, o engraçado é descobrir que a primeira, também foi a última. E muitas outras que eram alguma coisa, ainda machucam os ouvidos, as mais lindas, que a letras era simples, mas o conjunto de tudo era o que importante, essencial.

Começo e termino, ouvindo The Cure, Bloodflowers o álbum inteiro. Pode até ser que eu poderia ter ouvido outra coisa, mas escolhi The Cure entre tantas outras bandas, pelo simples motivo de eu não ouvir há muito tempo. Para minha surpresa, todas as músicas desse álbum poderia substituir essa pseudo tentativa de desabafo. Tudo bem, eu sei que The Cure é triste, mas na verdade, eu não me importo com isso nesse momento.

Não posso dizer que estou triste, nem que estou feliz. Estou normal. Os últimos acontecimentos, como sempre, foram muito paradoxais, coisas ruins e boas ao mesmo tempo, e eu ainda não sei para onde olhar. Me encontro novamente onde tudo é sempre a mesma coisa, e não sei o motivo, só sei que me sinto um pouco confortável com isso. O resto eu dou um jeito, sempre.

Agora, a felicidade alheia me basta, de verdade, e apenas por enquanto.

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Música (que tem e não tem a ver com o post)

The Raconteurs:

Como a grande maioria das pessoas que são fãs do White Stripes ja tem conhecimento, Jack White adora ter novos projetos. Foi quando em 2005 ele resolveu mostrar a primeira melodia a Brendan Benson. Então nasceu steady as she goes e… Ah, o resto é resto! rs Os outros integrandes se juntaram a banda e outras composições foram surgindo.

A banda de influências de The Doors , The Who, John Lennon, Led Zepellin, Deep Purple entre outras e tem um som muito baseado no rock

O nome Racounteurs foi inspirado nos contadores de história da Idade Média. Recounteurs = narradores.

Bom, só ouvindo o som deles para sentir o felling que a banda possui. A música que eu vou colocar aqui, não é a clichê (steady as she goes) embora eu curta a música e seja a mais famosa, mas vou colocar aqui, a minha preferida.

The Racounteurs – Together

You and me forever
We belong together
And we’ll always endeavor
Throughout any type of weather

You want everything to be just like
The stories that you read but never write
You gotta learn to live and live and learn
You gotta learn to give and waste your term
Or you’ll get burned

You wrote our names down on the sidewalk
The rain came and washed ‘em off
So we should write ‘em again on wet cement
So maybe people a long time from now will know what we meant

You want every morning to be just like
The stories that you read but never write
You gotta learn to live and live and learn
You gotta learn to give and waste your term
My only concern

I’m adding something new to the mixture
So there’s a different hugh to your picture
A different ending to this fairy tale
When the sunset into which we sail

You want everything to be just like
The stories that you read but you can’t write
You gotta learn to live and live and learn
You gotta learn to give and wait your turn
Or you’ll get burned

“… agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou…”