Imensa.

Hoje me sinto com uma vontade absurda de mudar o mundo. (rá)

Não sei, mas acho que me tornei fria demais pra algumas coisas. Mais facil eu chorar vendo um comercial na TV do que com alguma coisa relativamente ruim que aconteceu.

Quando  disse que  sinto uma vontade absurda de mudar o mundo, acho que me referi ao meu mundo, e o mundo das pessoas importantes pra mim. Faço o que posso, e o que não posso, tenho idéias, que não são milagrosas, mas às vezes, servem pra alguma coisa. Acho, que o grande problema é dar o start, o primeiro passo.

Eu penso todo dia que eu preciso escrever, voltar a colocar “no papel”, escrever na hora umas idéias que vem na ponta da língua do meu cérebro, mas ai… eu esqueço!

Sabe aquela historia de ‘eu não sei o que quero, mas sei muito bem o que eu não quero’ ? Pois é… Eu quero muitas coisas ao memso tempo, que chega uma hora que eu não fiz e nem faço nada do que eu queria.

Não tenho vocação para comissária de bordo, mas acho que mesmo tendo um filho, não finquei raízes. Sinto necessidade constante de viajar, só eu e eu. Adoro a minha solidão, tão sonora como só ela sabe ser, e silenciosa quando tem que ser. Gosto de ter que me virar sozinha, de conhecer novos lugares, novas pessoas.

Tenho vontade de fotografar o mundo, me surpreender com o meu olhar sobre a pespectiva ansiosa de alguém que quer ver tudo, tocar o mundo, sentir o gosto que ele tem, e o cheiro de cada lugar.

Eu nasci aqui. Dei a luz aqui. Tenho família aqui. Mas não pertenço a nada, nem a lugar nenhum. Não gosto de me sentir presa, mas são as condições atuais. Preciso ver crescer a única coisa de bom que eu tenho certeza que eu fiz.

Sei que a hora de ir um dia vai chegar, e talvez eu tenha companhia, talvez não, por enquanto gosto de não estar só. Quero que dure. Entende?! Coisa nova isso de durar pra mim…

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Comecei a escrever ouvindo Zero 7, uma banda que conheci ano passado (depois falo sobre ela). Mas ai, me lembrei que tem uns meses (o_O) sim, meses, que eu to querendo parar pra ouvir Los Hrmanos, e outras bandas que eu não conseguia ouvir ha um tempo. Coloquei “O bloco do eu sozinho” pra tocar…

Fico impressionada quando ouço as minhas vontades e elas me dizem coisas que eu não queria ouvir, e não queria ver. Estou querendo parar pra ouvir esse album de novo, ha dias. Não consigo nem escolher nenhuma música… droga!

Bom, como eu tinha que escolher uma, optei por não escolher uma clichê. Tem muitas músicas fodas nesse álbum:

Los Hermanos – Todo carnaval tem seu fim

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

“Porque perder tempo aprendendo, quando a ignorancia é instantânea?” (Calvin)

‘euteamo’ e Suas Estréias

Eu realmente adoro me surpreender. Obviamente, que eu gosto de me surpreender com coisas boas.

Essa semana, uma pessoa muito querida, me mostrou o site da Elisa Lucinda. Antes de ter total ciência de quem era, ouvi algumas faixas de dois álbuns dela e percebi que aquela voz me era muito familiar. Fiquei apaixonada.

Hoje, voltei a procurar enlouquecida pelo site no historico do meu navegador. Quando fui procurar pelos textos, e quando coloquei no google, vi quem era de fato. Eu ja gostava do trabalho dela antes, agora então, gosto MUITO MAIS. Trabalho fantástico.

Site da Elisa Lucinda: http://www.escolalucinda.com.br/

‘euteamo’ e Suas Estréias

Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido ‘euteamo’
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importo, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o ‘Eu te amo’
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição parece maculá-lo ou duvidá-lo…
Qual nada!
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe
com exuberância comum e com novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
Uma loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo
é o prazer.
Vê: tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Banhar-se é novidade
Transar é novidade
Beijar é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso euteamo agora
como nunca antes
Porque quando euteamei ontem
Euteamava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio
daquela disposição de verbo
Euteamo hoje com você dentro
embora sem você perto
euteamo em viagem
portanto em viragem
diferente da que quando
estava perto.
Meu certo é alto, forte
Euteamo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Euteamo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.

Ouça aqui: [  http://www.escolalucinda.com.br/downloads/06%20%27euteamo%27%20e%20suas%20estr%E9ias.wma ]

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Ainda hoje, ou ontem, tive o prazer de ouvir uma cantora que, infelizmente, muita gente não conhece, mas que eu acho um encanto. Céu. Recomendo. A voz dela é linda demais.

Céu – Bobagem

Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir…

Bobagem pouca
Besteira
Recíproca nula
A gente espera
Mero incidente
Corriqueiro
Ser mulher
A vida inteira…

Minha beleza
Não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir…

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😛

Em seu lugar

Hoje o dia foi agitado, fiquei feliz. Visitar inesperadas, passeio e brincadeiras, momentos unicos, que cada vez mais me convencem do quão puras são as coisas simples da vida, que a gente não dá o menor valor.

Chegando em casa, fui assistir “Em seu lugar” ( In her shoes ). Não vou saber explicar como o filme mexeu comigo, quem ja assistiu talvez entenda, ou não. O fato é que, me identifiquei muito, não só com alguns pontos do filme, mas como alguns outros pontos da história.

Em especial, chorei em duas partes do filme, ambas em que uma das personagens recita dois poemas. O primeiro poema é “Uma Arte” de Elizabeth Bishop, e o segundo poema, no fim do filme é ” Eu levo o seu coração comigo” de E. E. Cummings.

Recomendo o filme. Recomendo os poemas e os autores. Recomendo ainda mais, que tirem lições de todo filme, poema ou música que de alguma forma toque você.

Bom, vou colocar aqui por poemas:

Uma ArteElizabeth Bishop

Tradução de Horácio Costa  

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

– Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda – escreva tudo! – lembre desastre.

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Eu Levo o Seu Coração Comigo –   E. E. Cummings

Tradução Regina Werneck

Eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

  

tenho medo

 

que a minha minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)

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Imagine você. Tente colocar ondem, onde a desordem impera. Tente colocar um ponto final, onde só existem reticências. Veja sanidade, onde a graça vem da loucura, onde o som vem do vazio, e o silêncio está docemente combinado ao caos. É apenas o cheiro doce e seco do perfume de flores, e a beleza do cabelo que cai pelo ombro sem pentear. Onde os olhos são mais desiguais que nem Delírio ou Deleite entenderia. Apenas ela, bela, com postura de menina, sem modos, sem pudor, sorriso malicioso escondido atras de um balançar de cabeça gracioso. É a música. Só a música. Com a rotina, que a cada dia, conquista mais. São traços, deixados, esquecidos. Ainda tímidos, grosseiros. Palavras, dela. Por ela. E para ela. Por mim.

Nosso lado, lado meu…

Você está feliz com o seu lado? Digo mais, você está realmente feliz com quem esta ao seu lado? Está satisfeito com quem esta ao seu redor? Lado não é só aquele literal, onde nós podemos medir, ver, sentir. Às vezes nosso lado tá ali, mas a gente nem percebe. Da mesma forma, a gente se engana com o que achamos que é o nosso lado.

Lado é algo muito pessoal. Lado é algo muito íntimo. Se você algum dia sentir falta de possuir um lado, pare e se dê conta de que todos temos um lado, oculto ou não, ele está sempre lá, talvez só seja necessário abrir olhar com mais precisão, ou apenas, sentir. O lado não se expôe, preserve, de valor, cuide, apenas preste atenção, se de ao trabalho, se de isso de presente.

A gente se engana tanto, da valores a coisas, situações e acontecimentos errados, que quando coisas “certas” acontecem, é extremamente normal que a gente não queia agreditar que aquilo é real.  Antes, eu não conseguia ouvir uma música que me lembrava algo ruim. Hoje, eu ponho a mesma musica no repeat, e dou risada da minha memória.

O mais surreal, é descobrir que “falta algo”, e achar que o mundo vai acabar. Parar, pensar um pouco e chegar a conclusão que, o que falta é algo que não faz a menor falta, que era algo que eu estava acostumada, talvez até no comodismo de sentir. Ninguém precisa sofrer pra se sentir completo, pode ate ser algo esporádico, uma visitinha indesejável e inconveniente, mas jamais algo constante. É apenas dizer um total adeus ao desnecessário.

Só ainda não consegui descobrir que ha um senso comum a respeito do que é certo, errado, real, irreal, surreal, liberdade, lado e por ai vai… Na verdade, não faço a menor questão de saber o senso comum…

Observe melhor as quinas onde você esbarra, ou os cantos obscuros onde a “vassoura” nao alcança. Existem certas coisas que a gente faz questao de nao perceber, por pura ignorancia. Dê mais valor ao seu 6º sentido, ele pode (ou não) ter razão.

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Teoria dos lados – Menino Maluquinho

“Todo lado tem seu lado
Eu sou o meu próprio lado
E posso viver ao lado
Do seu lado, que era meu.”

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Eu hoje passei a noite quase inteira ouvindo o último albúm do Depeche Mode, Sounds of the Universe. Cada vez mais eu me apaixono por essa banda. Muito bom mesmo.
Para ilustrar os ouvidos, a primeira música que eu ouvi desse álbum novo.
Enjoy!
Depeche Mode – Wrong

I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique
Wrong
Wrong

There’s something wrong with me chemically
Something wrong with me inherently
The wrong mix in the wrong genes
I reached the wrong ends by the wrong means
It was the wrong plan
In the wrong hands
With the wrong theory for the wrong man
The wrong eyes, on the wrong prize
The wrong questions with the wrong replies
Wrong
Wrong

I was marching to the wrong drum
With the wrong scum
Pissing out the wrong energy
Using all the wrong lines
And the wrong signs
With the wrong intensity
I was on the wrong page of the wrong book
With the wrong rendition of the wrong hook
With the wrong moon, every wrong night
With the wrong tune playing till it sounded right yeah
Wrong
Wrong

Too long
Wrong

I was born with the wrong sign
In the wrong house
With the wrong ascendancy
I took the wrong road
That led to the wrong tendencies
I was in the wrong place at the wrong time
For the wrong reason and the wrong rhyme
On the wrong day of the wrong week
I used the wrong method with the wrong technique

Wrong
PS: Preciso aprender a ser mais objetiva, URGENTE!