Em seu lugar

Hoje o dia foi agitado, fiquei feliz. Visitar inesperadas, passeio e brincadeiras, momentos unicos, que cada vez mais me convencem do quão puras são as coisas simples da vida, que a gente não dá o menor valor.

Chegando em casa, fui assistir “Em seu lugar” ( In her shoes ). Não vou saber explicar como o filme mexeu comigo, quem ja assistiu talvez entenda, ou não. O fato é que, me identifiquei muito, não só com alguns pontos do filme, mas como alguns outros pontos da história.

Em especial, chorei em duas partes do filme, ambas em que uma das personagens recita dois poemas. O primeiro poema é “Uma Arte” de Elizabeth Bishop, e o segundo poema, no fim do filme é ” Eu levo o seu coração comigo” de E. E. Cummings.

Recomendo o filme. Recomendo os poemas e os autores. Recomendo ainda mais, que tirem lições de todo filme, poema ou música que de alguma forma toque você.

Bom, vou colocar aqui por poemas:

Uma ArteElizabeth Bishop

Tradução de Horácio Costa  

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

– Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda – escreva tudo! – lembre desastre.

————-

 

Eu Levo o Seu Coração Comigo –   E. E. Cummings

Tradução Regina Werneck

Eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

  

tenho medo

 

que a minha minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)

————



 

Imagine você. Tente colocar ondem, onde a desordem impera. Tente colocar um ponto final, onde só existem reticências. Veja sanidade, onde a graça vem da loucura, onde o som vem do vazio, e o silêncio está docemente combinado ao caos. É apenas o cheiro doce e seco do perfume de flores, e a beleza do cabelo que cai pelo ombro sem pentear. Onde os olhos são mais desiguais que nem Delírio ou Deleite entenderia. Apenas ela, bela, com postura de menina, sem modos, sem pudor, sorriso malicioso escondido atras de um balançar de cabeça gracioso. É a música. Só a música. Com a rotina, que a cada dia, conquista mais. São traços, deixados, esquecidos. Ainda tímidos, grosseiros. Palavras, dela. Por ela. E para ela. Por mim.

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1 Comentário

  1. Adorei o filme e chorei muito!!! Recomendo a todos assistir!!!


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