Canção final (para um filme)

Insônia.  Onde está a novidade?! Escondida nas entrelinhas. Me pego as 4 da manhã, escrevendo, devaneando por entre listras, cortinas suicídas que se jogavam na hélice do ventilador, dançando com o vento forte que entra pela pequena fresta da janela. Um calor abafado. Um banho gelado. Uma roupa limpa. Deito, agarrada com quatro travesseiros. Exagero é o novo nome que eu dou. Deito para um lado. Viro para o outro. Onde está o sono que não quer aparecer? Do fundo de uma lembrança que eu queria deixar para trás, mas que eu mesma fui buscar quando enfiei minha mão no fundo de um buraco negro e cheio de lama com um leve odor de podre. Achei que não tinha mais fundo, e quase caí lá dentro. Com o braço sujo até o ombro, parte do colo, e o rosto, que estava molhado. Solucei, como há muito não soluçava. Agarrada ao matelasse. O verde claro, que ficou escuro, o amarelo que virou mostarda e o branco, acinzentado. O buraco imundo, inundei. Esperançosa, varri com os dedos, joguei para longe. Limo resistente, insistente. Uma hora, vai embora. Sempre vai. Agora, ja não latejava mais dolorido e sujo o maldito buraco. Linha e agulha para quem sabe costurar, para mim, tapumes ainda seriaam glamurosos. Esparadrapo serve. A disritmia ecoava. Hora tictac, hora tic, hora tac. Enchi os pulmões de ar, deixei a dor chegar, e dormi,  com a presença da velha amiga, que me visitava, mas eu não deixava passar da porta da frente,  olhando solitária pela janela embaçada. Dormi aliviada e lembrando do bem, que me fazia chorar. Chorou a filha, chorou a mulher, chorou a mãe, mas principalmente, chorou a menina.

—–

Relato de uma madrugada real, a passada.

E o mais incrível, que o fato todo aconteceu com uma musica só, que eu estava ouvindo agora de novo e lendo a letra, e me dei conta de que, tudo batia, e só eu não percebi, como tudo na minha vida.

Radiohead – Exit Music ( for a film )

“Wake, from your sleep
the drying of your tears
today we escape
we escape
pack, and get dressed
before your father hears us
before all hell breaks loose
breathe, keep breathing
don’t lose your nerve
breathe, keep breathing
i can’t do this alone
sing us a song, a song to keep us warm
there’s such a chill, such a chill
you can laugh
a spineless laugh
we hope your rules and wisdom choke you
now we are one
in everlasting peace
we hope that you choke, that you choke
we hope that you choke, that you choke
we hope that you choke, that you choke”

(Não preciso dizer que o video é lindo…)

To aqui me perguntando se alguém vai notar o duplo sentido espefífico em uma das frases, duvido!

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Surpresas de uma noite vazia

Ja disse que eu ADORO me surpreender ouvindo algo novo?! Novo para mim, pelo menos.

Fico me perguntando como uma coisa leva a outra; Entrei em um site, onde não sei pq e ja nem me lembro mais que site foi, seu papel de parede me fez voltar a pensar em uma participação que Johnny Depp fez em um filme francês chamado “Ils se marièrent et eurent beaucoup d’enfants” (que infelizmente quase ninguém conhece, e o engraçado, que o que mais me marcou “nesse trecho do filme” foi que eles se esbarraram, eu acho, em uma loja de CD’s e ouviam Creep do Radiohead) e que me fez assistir o video do trecho do filme em que ele aparece com Charlotte Gainsbourg, que me fez pensar que eu a conhecia de algum lugar, e antes que eu pudesse me dar conta, ja tinha me lembrado de “Não Estou lá”. Quando terminei de assitir o video com o Depp, percebi que nos videos relacionados, tinham muitos só com o nome da Charlotte Gainsbourg, e lá fui eu fuçar e me deparo com a voz sussurrante dela, que de inicio, me deu uma certa agonia. Ouvi mais algumas músicas e bati de frente com JAMAIS. Achei o nome curioso, mas deixei-a pra ouvir depois e fui ouvindo outras coisas, e gostando. Enfim, voltei para JAMAIS, e o resultado foi esse post.

A-D-O-R-E-I. Gosto de ouvir coisas novas para o meu ouvido, e diferentes, mas que obviamente, me agradem.

Bom, recomendo desde já:

Charlotte Gainsbourg – Jamais

“I told you before that this is the end
You’ll never work in this town again
Jamais

You think you know me, that’s your trouble
Never fall in love with a body double
Jamais

I stick to the script and i go with the plan
And frankly my dear i never gave a damn
Jamais

Never even scratched the surface,
Though you’re picking through my bones
It’s the performance of a lifetime
It’s my only starring role
Your leading lady needs direction
Your leading lady sleeps alone

You got the surface and substance confused
Don’t believe what you read in those interviews
Jamais

I can act like i’m dumb, i can act like i’m clever
You thought that was me ? oh well, i never
Jamais

So just what is real and just what is fake ?
Well in life you never get to do a second take
Jamais

Never even scratched the surface
Though you’re picking through my bones
Though the names and dates are altered
The story’s still my own
The performance of a lifetime
My only starring role

In a cast of many thousands
No one’s essential to the plot
Every extra, every superstar
Must now vacate the lot
In the performance of a lifetime
I make the final cut”



Morangos Mofados

O dia em que Júpter encontrou Saturno

Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. Deram-lhe um copo de plástico com vodka, gelo e uma casquinha de limão. Ela triturou a casquinha entre os dentes, mexendo o gelo com a ponta do indicador, sem beber. Com a movimentação dos outros, levantando o tempo todo para dançar rocks barulhentos ou afundar nos quartos onde rolavam carreiras e baseados, devagarinho conquistou uma cadeira de junco junto a janela. A noite clara lá fora estendida sobre Henrique Schaumann, a avenida poncho & conga, riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz. Molhou os lábios na vodka tomando coragem de olhar para ele, um moço queimado de sol e calças brancas com a barra descosturada. Baixou outra vez os olhos, embora morena também, e suspirou soltando os ombros, coluna amoldando-se ao junco da cadeira. Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.

Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.

Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.

Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela – mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.

E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every dau, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos dos moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.

-Você gosta de estrelas?
-Gosto. Você também?
-Também. Você está olhando a lua?
-Quase cheia. Em Virgem.
-Amanhã faz conjunção com Júpiter.
-Com Saturno também.
-Isso é bom?
-Eu não sei. Deve ser.
-É sim. Bom encontrar você.
-Também acho.

(Silêncio)

-Você gosta de Júpiter?
-Gosto. Na verdade “desejaria viver em Júpiter onde as almas são puras e a transa é outra”.
-Que é isso?
-Um poema de um menino que vai morrer.
-Como é que você sabe?
-Em fevereiro, ele vai se matar em fevereiro.

(Silêncio)

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.

(Silêncio)

-Como é que você sabe?
-O quê?
-Que o menino vai se matar.
-Sei de muitas coisas. Algumas nem aconteceram ainda.
-Eu não sei nada.
-Te ensino a saber, não a sentir. Não sinto nada, já faz tempo.
-Eu só sinto, mas não sei o que sinto. Quando sei, não compreendo.
-Ninguém compreende.
-Às vezes sim. Eu te ensino.
-Difícil, morri em dezembro. Com cinco tiros nas costas. Você também.
-Também, depois saí do corpo. Você já saiu do corpo?

(Silêncio)

-Você tomou alguma coisa?
-O quê?
-Cocaína, morfina, codeína, mescalina, heroína, estenamina, psilocibina, metedrina.
-Não tomei nada. Não tomo mais nada.
-Nem eu. Já tomei tudo.
-Tudo?
-Cogumelos têm parte com o diabo.
-O ópio aperfeiçoa o real
-Agora quero ficar limpa. De corpo, de alma. Não quero sair do corpo.

(Silêncio)

-Acho que estou voltando. Usava saias coloridas, flores nos cabelos.
-Minha trança chegava até a cintura. As pulseiras cobriam os braços.
-Alguma coisa se perdeu.
-Onde fomos? Onde ficamos?
-Alguma coisa se encontrou.
-E aqueles guizos?
-E aquelas fitas?
-O sol já foi embora.
-A estrada escureceu.
-Mas navegamos.
-Sim. Onde está o Norte?
-Localiza o Cruzeiro do Sul. Depois caminha na direção oposta.

(Silêncio)

-Você é de Virgem?
-Sou. E você, de Capricórnio?
-Sou. Eu sabia.
-Eu sabia também.
-Combinamos: terra.
-Sim. Combinamos.

(Silêncio)

-Amanhã vou embora para Paris.
-Amanhã vou embora para Natal.
-Eu te mando um cartão de lá.
-Eu te mando um cartão de lá.
-No meu cartão vai ter uma pedra suspensa sobre o mar.
-No meu não vai ter pedra, só mar. E uma palmeira debruçada.

(Silêncio)

-Vou tomar chá de ayahuasca e ver você egípcia. Parada do meu lado, olhando de perfil.
-Vou tomar chá de datura e ver você tuaregue. Perdido no deserto, ofuscado pelo sol.
-Vamos nos ver?
-No teu chá. No meu chá.

(Silêncio)

-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.
-Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
-Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre.

(Silêncio)

-Tudo isso é muito abstrato. Está tocando “Kiss, kiss, kiss”. Por que você não me convida para dormirmos juntos.
-Você quer dormir comigo?
-Não.
-Porque não é preciso?
-Porque não é preciso.

(Silêncio)

-Me beija.
-Te beijo.

Foi a última pessoa que viu ao sair. Tão bonita que ele baixou os olhos, sem saber sabendo que ela também o tinha visto. Desceu pelo elevador, a chave do carro na mão. Rodou a chave entre os dedos, depois mordeu leve a ponta metálica, amarga. Os olhos fixos nos andares que passavam, sem prestar atenção nos outros que assoavam narizes ou pingavam colírios. Devagarinho, conquistou o espaço junto à porta. Os ruídos coados de festas e comandos da madrugada nos outros apartamentos, festas pelas frestas, riu sozinho. Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturadas, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

Mordeu a unha junto com a chave, lembrando dela, uma moça magra de cabelos lisos junto à janela. Baixou outra vez os olhos, embora magro também. E suspirou soltando os ombros, pés inseguros comprimindo o piso instável do elevador. Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.

Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.

Levemente, para não chamar a atenção de ninguém, apertou os dedos da mão direita na porta aberta do elevador e atravessou o saguão de lado, saindo para a rua. Apoiou-se no poste da esquina, o vento esvoaçando os cabelos, e para evitá-lo ele então levantou a cabeça e viu o céu. Um céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Visto assim parecia não um moço vivendo, mas pintado num óleo de Gregório Gruber, tão nítido estava ressaltado contra o fundo da avenida, e assim estava, mas sem compreender, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco, a moça debruçou-sena janela lá em cima e gritou alguma coisa que ele não chegou a ouvir. Parado longe dela, a moça visível apenas da cintura para cima parecia um fantoche de luva, manipulado por alguém escondido, o moço no poste agitando a cabeça, uma marionete de fios, manipulada por alguém escondido.

De repente um carro freou atrás dele, o rádio gritando “se Deus quiser, um dia acabo voando”. Na cabeça dele soaram cinco tiros. De onde estava, não conseguiria ver os olhos da moça. De onde estava, a moça não conseguiria ver os olhos dele. Mas as memórias de cada um eram tantas que ela imediatamente entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar para trás.


Caio Fernando Abreu

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Me encontrando em mim. Ou me perdendo completamente

Delirium

Delirium é a mais jovem dos perpétuos.

Ela cheira a suor, vinho azedo, noites tardias
e couro velho.

Seu reino é próximo e pode ser facilmente visitado.
As mentes humanas, porém, não foram feitas para
compreender seu domínio, e os poucos que viajaram
até ele conseguiram relatar apenas fragmentos perdidos.

Sua aparência, um amontoado de ideias vestidas no
semblante da carne, é a mais variável de todos Perpétuos.
A forma e o contorno de sua sombra não têm relação com a
de nenhum corpo que esteja usando. Ela é tangível como
veludo gasto.

Alguns dizem que a grande frustração de Delirium é saber
que, apesar de ser mais velha que as estrelas e mais antiga
que os deuses, ela continua sendo eternamente a mais jovem
da família, pois os Perpétuos não medem tempo como nós nem
veem mundos através de olhos mortais.

Um dia, Delirium também já foi Deleite. E, embora isso tenha
sido a muito tempo, ainda hoje seus olhos têm matizes
diferentes: um é verde-esmeralda bem vivo, salpicado de pontos
prateados que se movem incessantemente; o outro é do mesmo azul
que esconde sangue dentro de veias mortais.

Quem pode saber o que Delirium vê através de seus olhos desiguais?

Sandman – Neil Gaiman

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Tá… quem me conhece, sabe da minha louca paixão pela Death – Morte. Tenho camisas, tenho vários edições do Sandman, imagens e enfim…

SÓ QUE, por incrível que pareça, meu primeiro contato com sandman e seus irmãos, foi lendo “Os Pequenos Perpétuos” e não com com o Sanman como normalmente acontece.

Também não é de hoje que eu me descobri apaixonada por literatura infantil. Vou postar algumas coisas “infantis” aqui.

Antes de eu me descobrir apaixonada pela Death, eu me identificava DEMAIS com a Delírium (tirando o fato dela ser a irmã caçula e outros pequenos detalhes, rs).

Foi quando eu fiz um teste no Facebook ou Twitter (@KarynK), sei lá, pra descobrir qual dos Pespétuos você é. Pela primeira vez, fiz um teste, sem tentar influenciar no resultado lendo as alternativas e… descobri que sou a Delírium…

Muito em breve, esse desenho ou outro da pequena Deliríum, que ja foi, há muito tempo, Deleite, vai estar tatuado!

🙂

“Não ria de mim, Desejo, não brinque comigo. Eu sei o que você está insinuando. Mas também sei coisas que nenhum de vocês sabe. Sei muitas coisas sobre nós, coisas que nem ele [Destino] sabe.”
Estação das Brumas, Neil Gaiman

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Ps. post ja publicado no fotolog

“RetroSPECTATIVA”

Eu ultimamente, ando tendo sonhos muito esquisitos. Gostaria muito de lembrar para contar, mas geralmente eu só lembro nos primeiros instantes após abrir os olhos, e às vezes antes disso. Mas aquela sensação de sonho ruim, que nem chegou a ser um pesadelo, fica remoendo aqui dentro.

Esse ano Poderia ter sido melhor, se não tivesse sido recheado de péssimos momentos marcantes. Conheci pessoas muito especiais, e outras inevitavelmente descartáveis. O engraçado, é que você conhece uma pessoa, tem a idéia lúdica de que se conhecem há anos, por motivos inúmeros, e chega em um ponto onde você não só se decepciona com a pessoa, mas simplesmente deleta ela da sua vida, como apenas um acontecido. Aconteceram algumas vezes comigo esse ano, e espero que seja recíproco. Acho que o pior desse ano, foi um afastamento por motivos de ritimo de vida diferente, que fez com que eu, muito por culpa do meu isolamento, não soubesse se quer notícias de algumas pessoas muito queridas.

Esse ano eu quis mudar, mas continuei a mesma. Tirei a minha máscara, revelei meu verdadeiro eu, na esperança de que os outros fizessem o mesmo, e o que aconteceu foi que o mundo muda, mas as pessoas, não. Mentiras verdadeiras, mentiras e mais mentiras, seja lá qual seja a espécie. Eu deveria pensar mais em mim, e menos nos outros, mas não é da minha natureza, aí acontece o que acontece sempre, eu dando a cara a tapa, colocando a mão no fogo, e me queimando. Tá difícil acreditar nas coisas e nas pessoas. Não sei ser metade racional, metade passional. Eu até tento ser menos coração, mas não consigo.

O ano começou enganosamente bem, e terminou verdadeiramente sem graça. Apenas eu, e a minha enorme vontade de sair por aí, viajar. Sinto saudades de pessoas que estão perto, e de pessoas que estão longe. Amigos, tenho poucos, mas amo cada um deles. Ja fui uma pessoa cheia de “amigos”. Hoje aprecio a minha solidão, e gosto de estar assim. Não estou depressiva, nem jamais pensei em algo diferente para esse fim de ano. Só espero, com todas as minhas forças, que esse ano seja melhor pra mim, que eu tenha vontade de comemorar meu aniversário, que eu nunca mais deixe de fazer ou faça alguma coisa por alguém que não seja eu. Não que eu não tenha feito algumas de minhas vontades esse ano, mas fiz pelos motivos errados. Sempre tenha certeza de que você é importante ou especial para alguém.

Amei os encontros inesperados desse ano. Pessoas que eu conheci por acaso, e se tornaram fundamentais na minha vida, mesmo eu tendo todos os meus desvios de humor. Amigos de amigos, ou apenas um esbarrão, não faz diferença.

Magoei pessoas, sendo sincera, com a melhor das intenções, mas sinceridade às vezes é demais. Eu ainda sou adepta da verdade doa a quem doer. Tenho muitos defeitos, mas odeio mentira e ingratidão, que aliás, vi muito esse ano também.

Não guardo mágoas, de ninguém, não só desse ano, mas de todos. Perdoei erros imperdoáveis, e o fim, tudo continuou na mesma. Então, reservo-me ao direito de não querer maos notícias. Mesmo que algumas pessoas que ja passaram, ainda estão passando, e ainda vão passar muito pela minha vida, pois certas pessoas não tem como se deletar, mas, as que eu posso, ja o fiz. Não me preocupo mais, não quero memso mais saber, e acho que mesmo com o passar do tempo, ainda optarei pelo silêncio. Que assim seja.

A melhor coisa que me aconteceu esse ano, por meios de força maior, foi eu ser cada dia mais feliz por ser mãe de um filho tão maravilhoso, amosoro, carinhoso, “mal criado”, peralta, bagunceiro e lindo. Eu sou feliz por ser mãe, por tudo que eu tive que deixar para trás por causa dele, e por todo dia de manhã, ele me aturar, com reméla, babada, bafo matinal, sono, me abraça, me beija e diz que eu sou a “mamãe linda dele”. Que mais eu vou querer dessa vida?! Nada merece mais o meu amor que ele, NADA e nem ninguém.

Espero que 2010 seja um ano melhor para mim, e para todos que precisam, e aproveitam o maximo que a vida tem para nos dar, se amando, e fazendo com que aquels que merecem, nos amem também.   Espero que ano que vem, eu não sente em meus problemas, simplesmente os resolva, sem muitas duvidas, nem questionamentos. apenas um caminho, o meu.

😉

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Coldplay – Viva la Vida

I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning and I sleep alone
Sweep the streets I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy’s eyes
Listen as the crowd would sing
“Now the old king is dead! Long live the king!”

One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field

For some reason I can’t explain
Once you go there was never
Never an honest word
That was when I ruled the world

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn’t believe what I’d become

Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field

For some reason I can’t explain
I know Saint Peter won’t call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

Oh, oh, oh, oh, oh

Hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field

For some reason I can’t explain
I know Saint Peter won’t call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

PS, eu gosto muito da versão original do clipe, mas sem querer achei essa, e adorei!

Coldplay em 2010! \o/ 😀

Imensa.

Hoje me sinto com uma vontade absurda de mudar o mundo. (rá)

Não sei, mas acho que me tornei fria demais pra algumas coisas. Mais facil eu chorar vendo um comercial na TV do que com alguma coisa relativamente ruim que aconteceu.

Quando  disse que  sinto uma vontade absurda de mudar o mundo, acho que me referi ao meu mundo, e o mundo das pessoas importantes pra mim. Faço o que posso, e o que não posso, tenho idéias, que não são milagrosas, mas às vezes, servem pra alguma coisa. Acho, que o grande problema é dar o start, o primeiro passo.

Eu penso todo dia que eu preciso escrever, voltar a colocar “no papel”, escrever na hora umas idéias que vem na ponta da língua do meu cérebro, mas ai… eu esqueço!

Sabe aquela historia de ‘eu não sei o que quero, mas sei muito bem o que eu não quero’ ? Pois é… Eu quero muitas coisas ao memso tempo, que chega uma hora que eu não fiz e nem faço nada do que eu queria.

Não tenho vocação para comissária de bordo, mas acho que mesmo tendo um filho, não finquei raízes. Sinto necessidade constante de viajar, só eu e eu. Adoro a minha solidão, tão sonora como só ela sabe ser, e silenciosa quando tem que ser. Gosto de ter que me virar sozinha, de conhecer novos lugares, novas pessoas.

Tenho vontade de fotografar o mundo, me surpreender com o meu olhar sobre a pespectiva ansiosa de alguém que quer ver tudo, tocar o mundo, sentir o gosto que ele tem, e o cheiro de cada lugar.

Eu nasci aqui. Dei a luz aqui. Tenho família aqui. Mas não pertenço a nada, nem a lugar nenhum. Não gosto de me sentir presa, mas são as condições atuais. Preciso ver crescer a única coisa de bom que eu tenho certeza que eu fiz.

Sei que a hora de ir um dia vai chegar, e talvez eu tenha companhia, talvez não, por enquanto gosto de não estar só. Quero que dure. Entende?! Coisa nova isso de durar pra mim…

————-

Comecei a escrever ouvindo Zero 7, uma banda que conheci ano passado (depois falo sobre ela). Mas ai, me lembrei que tem uns meses (o_O) sim, meses, que eu to querendo parar pra ouvir Los Hrmanos, e outras bandas que eu não conseguia ouvir ha um tempo. Coloquei “O bloco do eu sozinho” pra tocar…

Fico impressionada quando ouço as minhas vontades e elas me dizem coisas que eu não queria ouvir, e não queria ver. Estou querendo parar pra ouvir esse album de novo, ha dias. Não consigo nem escolher nenhuma música… droga!

Bom, como eu tinha que escolher uma, optei por não escolher uma clichê. Tem muitas músicas fodas nesse álbum:

Los Hermanos – Todo carnaval tem seu fim

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

“Porque perder tempo aprendendo, quando a ignorancia é instantânea?” (Calvin)

‘euteamo’ e Suas Estréias

Eu realmente adoro me surpreender. Obviamente, que eu gosto de me surpreender com coisas boas.

Essa semana, uma pessoa muito querida, me mostrou o site da Elisa Lucinda. Antes de ter total ciência de quem era, ouvi algumas faixas de dois álbuns dela e percebi que aquela voz me era muito familiar. Fiquei apaixonada.

Hoje, voltei a procurar enlouquecida pelo site no historico do meu navegador. Quando fui procurar pelos textos, e quando coloquei no google, vi quem era de fato. Eu ja gostava do trabalho dela antes, agora então, gosto MUITO MAIS. Trabalho fantástico.

Site da Elisa Lucinda: http://www.escolalucinda.com.br/

‘euteamo’ e Suas Estréias

Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido ‘euteamo’
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importo, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o ‘Eu te amo’
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição parece maculá-lo ou duvidá-lo…
Qual nada!
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe
com exuberância comum e com novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
Uma loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo
é o prazer.
Vê: tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Banhar-se é novidade
Transar é novidade
Beijar é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso euteamo agora
como nunca antes
Porque quando euteamei ontem
Euteamava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio
daquela disposição de verbo
Euteamo hoje com você dentro
embora sem você perto
euteamo em viagem
portanto em viragem
diferente da que quando
estava perto.
Meu certo é alto, forte
Euteamo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Euteamo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.

Ouça aqui: [  http://www.escolalucinda.com.br/downloads/06%20%27euteamo%27%20e%20suas%20estr%E9ias.wma ]

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Ainda hoje, ou ontem, tive o prazer de ouvir uma cantora que, infelizmente, muita gente não conhece, mas que eu acho um encanto. Céu. Recomendo. A voz dela é linda demais.

Céu – Bobagem

Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir…

Bobagem pouca
Besteira
Recíproca nula
A gente espera
Mero incidente
Corriqueiro
Ser mulher
A vida inteira…

Minha beleza
Não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir…

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😛